A Fábrica das Nuvens Coloridas

A Inês descobre que uma pequena fábrica de brincar consegue transformar cores em nuvens, pontes e caminhos para uma aventura cheia de imaginação.

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Ilustração infantil de uma mesa criativa com massa colorida a formar nuvens, estrelas e uma ponte arco-íris.

Na mesa da cozinha, a Inês encontrou uma pequena fábrica de brincar, pousada ao lado de bolinhas de massa colorida.

Havia amarelo como sol de manhã, azul como céu lavado, verde como erva acabada de acordar e rosa como uma gargalhada baixinha.

A Inês apertou uma bolinha azul com as duas mãos.

- Parece uma nuvem! - disse ela.

Mas a nuvem ainda não sabia voar.

Então a Inês colocou a massa na pequena fábrica e carregou devagar, com muito cuidado. Do outro lado saiu uma tira comprida, macia e ondulada.

Não era bem uma nuvem. Também não era bem um caminho.

Era uma coisa nova.

E as coisas novas, a Inês sabia, gostavam de receber nomes.

- Chamas-te Nuvem-Caminho - decidiu.

Nesse instante, a tira azul deu um saltinho pequenino em cima da mesa.

Não foi um salto grande, desses que fazem cair copos. Foi só um piquinho de alegria.

A Inês arregalou os olhos.

- Estás viva?

A Nuvem-Caminho não falou, porque as nuvens de massa ainda estavam a aprender palavras. Mas dobrou uma pontinha para a frente, como quem dizia: anda daí.

A Inês fez mais uma tira, desta vez amarela. Depois uma verde. Depois uma cor-de-rosa.

Juntou tudo com os dedos e construiu uma ponte às riscas, tão pequena que cabia entre o prato das bolachas e o frasco dos lápis.

No meio da ponte apareceu uma personagem feita de massa azul. Tinha um chapéu amarelo, braços redondos e um sorriso torto.

- Olá - disse a Inês. - Como te chamas?

A personagem bateu com o pé na mesa: toc, toc, toc.

- Toc? - perguntou a Inês.

A personagem abanou a cabeça.

Bateu outra vez: toc, toc.

- Tico?

Desta vez, a personagem deu uma volta completa e quase caiu dentro da tampa verde.

- Pronto. Tico.

O Tico apontou para a janela. Lá fora, o céu estava muito quieto. Quieto demais.

- Falta qualquer coisa - murmurou a Inês.

Fez então três estrelinhas laranja, duas folhas verdes e uma lua pequena, só porque lhe apeteceu fazer uma lua de manhã.

Quando as pousou na ponte, a cozinha ficou diferente. A cadeira transformou-se numa montanha. A toalha da mesa virou campo. O copo de água tornou-se lago transparente.

O Tico caminhou pela ponte às riscas e parou no meio.

À sua frente havia um espaço vazio.

- Ah - disse a Inês. - Precisamos de chegar ao outro lado.

Do outro lado ficava o Reino das Bolachas Redondas. Era um reino importante, especialmente à hora do lanche.

A Inês colocou mais massa na fábrica de brincar. Desta vez misturou um bocadinho de azul com um bocadinho de branco. Carregou devagar. Saiu uma fita clara, parecida com vento.

O Tico agarrou numa ponta.

A Inês agarrou na outra.

Esticaram, dobraram, enrolaram e fizeram uma rampa muito macia.

- Já está - disse a Inês. - Uma rampa de vento manso.

O Tico subiu primeiro. Foi com passinhos curtos, porque as pernas de massa não gostam de pressas.

No topo, levantou os braços.

A Inês empurrou uma estrelinha laranja pela rampa. A estrela deslizou devagarinho e parou mesmo ao lado dele.

- Boa viagem! - sussurrou a Inês.

Depois fez uma folha verde. Depois uma nuvem rosa. Depois uma bolinha redonda que, sem querer, parecia uma batata com sono.

A batata com sono fez a Inês rir tanto que a rampa tremeu.

O Tico quase perdeu o chapéu.

- Desculpa! - disse ela. - Foi uma gargalhada escorregadia.

O Tico apanhou o chapéu, pô-lo torto de propósito e fez uma vénia.

Quando chegaram ao Reino das Bolachas Redondas, a Inês percebeu que faltava uma coisa muito importante.

- Um presente para o rei.

O rei, claro, era uma bolacha com duas passas a fazer de olhos.

A Inês pensou, pensou e fez uma flor com pétalas de todas as cores. Não ficou perfeita. Uma pétala era maior do que as outras e outra parecia uma orelha.

Mas o Tico bateu palmas.

E a Inês sorriu.

- As flores de faz de conta não precisam de ser iguais às flores do jardim.

A bolacha-rei recebeu a flor com muita dignidade. Pelo menos, pareceu receber, porque uma bolacha não se mexe muito quando está a ser rei.

Depois houve festa.

As nuvens dançaram em caracóis. As estrelas fizeram uma fila. A rampa virou escorrega. A ponte ficou mais comprida, porque a Inês acrescentou bocadinhos de cor sempre que tinha uma ideia nova.

A mãe apareceu à porta e ficou a olhar.

- Que grande construção - disse ela.

- Não é só uma construção - explicou a Inês. - É uma fábrica de viagens.

A mãe aproximou-se.

- Posso fazer uma árvore?

A Inês deu-lhe um pedaço verde.

- Pode. Mas nesta terra as árvores também podem ter estrelas.

A mãe fez uma árvore baixa e redondinha, com três estrelas nas pontas. O Tico sentou-se à sombra dela, cansado de tanta aventura.

A Inês olhou para a mesa.

Havia massa colorida, formas inventadas, uma ponte, uma rampa, uma árvore estranha e uma bolacha muito importante.

Nada estava como no início.

E isso era a melhor parte.

Porque, naquela manhã, a Inês descobriu que algumas fábricas não fazem coisas sempre iguais.

Algumas fábricas fazem ideias.

E as ideias, quando são feitas com as mãos, ficam mesmo boas de visitar.

3 ideias de brincadeiras

Fábrica de caminhos: Criem tiras de massa de várias cores e inventem pontes, estradas, rios ou rampas para pequenos bonecos atravessarem.

Personagens de um minuto: Cada pessoa faz uma personagem simples em pouco tempo, dá-lhe um nome e inventa uma frase curta para ela dizer.

Reino do lanche: Usem objetos seguros da mesa, como tampas, copos vazios ou guardanapos, para construir um pequeno cenário e contar uma aventura nova.

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O Play-Doh Kit Inicial Fábrica Divertida inspira brincadeiras de modelar onde as cores ganham formas, caminhos e pequenas histórias feitas com as mãos.

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